O ciclo da violência doméstica
As raízes da violência doméstica são profundas, antigas se fazem presentes na vida de cada mulher em maior ou menor grau de risco. Para melhor entendimento, serão apresentadas as peculiaridades das três fases do ciclo da violência doméstica.
Primeira fase: Construção da tensão
Ocorre a construção da tensão no relacionamento através de agressões verbais, crises de ciúmes, ameaças, destruição de objetos, etc. Tentando evitar o pior, a mulher esforça-se para acalmar seu agressor, mostrando-se dócil, prestativa, satisfazendo todos os seus caprichos. Se ele explode, ela assume a culpa, sentindo-se responsável pelos atos do marido ou companheiro. A vítima nega a sua própria raiva e tenta atribuir ao cansaço e à bebida como sendo as causas das atitudes violentas do parceiro.
Segunda fase: Explosão da violência
Dá-se a explosão da violência marcada por agressões agudas. A tensão atinge seu ponto máximo e acontecem os ataques mais graves. A relação torna-se inadministrável e tudo se transforma em descontrole e destruição. Algumas vezes, a mulher percebe a aproximação da segunda fase e acaba provocando os incidentes violentos por não suportar mais o medo, a raiva e a ansiedade.
Terceira fase: Lua-de-mel
É notório o arrependimento do agressor. Terminado o período da violência física, o parceiro demonstra remorso e medo de perder a companheira. Ele pode prometer qualquer coisa, implorar por perdão, comprar presentes para a vítima, demonstrar efusivamente sua culpa e sua paixão, jura que jamais voltará a agir de forma violenta, promete que será novamente o homem por quem um dia ela se apaixonou.
Este ciclo tem se repetido inúmeras vezes na vida de muitas mulheres. Em decorrência da intolerância e desigualdades de gênero, as estatísticas da violência contra a mulher, segundo pesquisa da Fundação Perseu Abramo (2001) registra que, uma em cada cinco brasileiras (19%) sofreu algum tipo de violência por parte de algum homem: 16% relatam casos de violência física, 2% de violência psíquica e 1% de assédio sexual. Ainda de acordo com a pesquisa, em relação as diferentes formas de agressão, 43% das entrevistadas reconhecem ter sofrido algum tipo de violência, 33% experimentaram alguma violência física, 27% violência psíquica, 11% assédio sexual e 11% também teriam sido espancadas. Na população, isso significa algo em torno de 6,8 milhões de mulheres. Considerando a proporção das que sofreram espancamento no ano anterior à pesquisa, calcula-se que a cada 15 segundos uma mulher é espancada em nosso país.
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Por Cícera Arquelino Alves Ramos
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